02 maio 2017

Entrevista com Jairo Faria: o Inverno Cultural é essencial

 

Jairo Faria Mendes ou Jairo Fará, como se apresenta, é professor do Curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de São João del-Rei e coordenador da área de Literatura no Inverno Cultural UFSJ. Sempre de bom humor, o poeta conta sobre a área de atuação dentro do festival e participação em edições anteriores.

Na entrevista, Jairo define o Inverno Cultural como um evento essencial para São João del-Rei e comenta sobre a importância do tema escolhido para 2017: “Universidade, Arte e Resistência: a cultura como bem comum”. Descubra um pouco mais sobre a relação entre o coordenador e o festival.

Defina em poucas palavras:

  • Cultura: Expressão.
  • Universidade: Local de encontro de saberes.
  • São João del-Rei: Lugar que guarda grande beleza cultural e riqueza humana.

 

Conte um pouco sobre a sua história com o Inverno Cultural UFSJ.

Conheço o Inverno Cultural desde o final da década de 1990, de algumas vezes que vim a São João del-Rei. Na época, o festival era um evento pequeno, mas muito envolvente, que tinha um espírito transformador e apaixonante. Lembro-me de alguns eventos no Teatro Municipal, que ainda não eram tão concorridos com essa loucura filas quilométricas. (risos)

Vim para a UFSJ em 2009, quando o curso de Jornalismo foi aberto. Em 2010, passei a coordenar a área de Literatura e tive uma pequena participação no festival. Fiz uma exposição de fotografias sobre as interferências da cultura pop no patrimônio histórico de São João del-Rei e Tiradentes, no antigo espaço Calêndula.

Quando comecei, não havia o envolvimento merecido na área de Literatura. As oficinas fechavam por falta de alunos, por exemplo. Mas acredito que, pelo fato de eu ser poeta e estar muito ligado à área, entrei de cabeça e tentei dar vida. Apesar de a Literatura ser uma área que sempre teve poucos recursos, nós tentávamos multiplicá-los para trazer pessoas que envolvessem a cidade. No início, quando eu ainda estava apanhando muito como organizador de eventos, pensei: acho que eu vou sair fora disso porque dá muito trabalho (risos). Mas por outro lado, a compensação é muito maior.  Desde então, fui me envolvendo cada vez mais com coordenação e organização do evento.

Um aspecto interessante era que todo mundo andava em grupo, todos os oficineiros, artistas. Passávamos o dia inteiro juntos, almoçávamos, jantávamos, saíamos para tomar cerveja. Daí, fomos continuando esse processo. Era muito bacana!

Qual seria a importância do Inverno Cultural para São João del-Rei?

O Inverno Cultural é um evento essencial. Acredito que ele seja o evento cultural mais importante da cidade pelo fato de envolver não só a comunidade acadêmica e artístico, mas de mobilizar os são-joanenses. Essa grande participação de São João del-Rei que o diferencia dos demais eventos universitários.

 

O que achou do tema “Universidade, Arte e Resistência: a cultura como bem comum”?

Achei esse tema maravilhoso! Ele é muito atual. A universidade vive uma fase de impasses: não sabemos qual será a sua realidade nos próximos anos. Esse é o momento de nos unirmos e lutarmos para que a instituição não seja sucateada e não perca seu propósito inclusivo, cultural, de democratização do saber e de reflexão. Logo, esse tema contribui para refletirmos sobre essa realidade e sobre a questão de resistência para manter e fortalecer o espaço da universidade, que é tão importante.

Quais são as novidades na sua área para a edição de 2017?

Este ano, haverá o 5º Desencontro Desmarcado no Teatro Municipal de São João del-Rei, uma noite que reúne poetas de todo o país. Ele será uma homenagem aos 30 anos do Psiu Poético, evento de literatura mais antigo do Brasil, com origem em Montes Claros/MG. A noite de literatura não é careta, as pessoas gritam, andam de bicicleta no palco, sobem nas cadeiras… (risos) É um evento super bonito! A última edição, por exemplo, durou 3 horas e ninguém foi embora.

Além disso, o Poesia com Cachaça acontecerá mais uma vez. Ele é feito por um poeta de Belo Horizonte, o Ronald Claver, que estudou em São João. A cidade gosta muito desse evento, que é super divertido.

Texto: Alícia Antonioli.

Fotos: Alícia Antonioli, Netun Lima, Paulo Filho.

1 Comment
  1. Rose Mary Teles Sousa 06/05/2017 at 22:01 - Reply

    Ansiosa pelo Inverno Cultural dois mil e dezessete, ainda mais depois de um ano de abstinência. O tema é maravilhoso, precisamos preservar nossos espaços de construção de cidadania, de inclusão e cultura. Com a coordenação do Jairo Faria, essa edição promete!

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